sábado, 30 de agosto de 2008

A fobia das compras, breve análise

Traz-me aqui hoje um assunto que não me preocupa, mas mói-me um bocadinho por dentro.
Hoje estive nas compras com a Bernie e com a Sónia. Planeámos uma incursão - nunca breve - pelo mundo maravilhoso do outlet. Uma ideia fantástica, diga-se de passagem. Perfeito para gastarmos o dinheiro que às vezes não temos para comprar coisas que de outra forma não comprávamos. Aquela coisa do "ah!, que barato, isto só custa 10,99 e o ano passado estava a 11,90" funciona que é uma beleza. Nunca fazemos muitas contas, não vá a verdade vir ao de cima... tem de ser tudo feito muito depressa e de forma muito eficaz, não vão os 3 minutos de bom senso que costumamos ter nas compras aparecer logo ali para nos apercebermos que a dita camisola é amarelo-canário, que não temos mais nada amarelo no guarda-roupa, que aliás até é a cor de que menos gostamos e que a camisola nos faz parecer uma banana com 2 dias de frigorífico.
Enfim, parece-me que é pacífico, entre nós, mulheres modernas :), que a questão da fobia das compras é uma doença. Rapidamente a Organização Mundial de Saúde se dará conta que os seus efeitos são muito parecidos aos da Tensão Pré-Menstrual, mas ao contrário: ficamos felizes, contentes que nem borboletas num clima tropical, numa histeria alegre quase convulsiva, e tudo porque aqueles sapatos cor-de-laranja que andávamos a flirtar há que tempos estão 13 euros mais baratos.
Contudo, este aparente benefício para a disposição esconde em si uma adição terrível, com ressacas violentíssimas e com efeitos secundários devastadores. A partir do momento em que encetamos a Cruzada das Compras e nos imbuímos do Espírito-Guerreiro-das-Rebajas-e-dos-Outlets, sabemos perfeitamente que estamos encurraladas. Está fora de hipótese, no fim da batalha, sair de mãos a abanar e abandonar o recinto sem, pelo menos, dois sacos na mão. Esta cerca-aditiva deixa-nos, no fundo, de rastos. Logo aí, já perdemos (e ainda nem puxámos do cartão).
Depois, aquele momento em que saímos da loja, num transe eufórico porque comprámos qualquer coisa por metade do preço, sabemo-lo bem, é tão efémero quanto o são os dias de sol em janeiro. Estamos o resto do dia orgulhosas de nós por sermos tão sabidas e termos tanto jeito para a pechincha... e, já a caminho de casa, vamos a pouco e pouco percebendo que
a) não precisávamos em absoluto de mais um par de sandálias, quando o Inverno está aí à porta, e muito menos do número abaixo do noss que, claro está, era o único que havia;
b) o top amarelo fashion, afinal, é de um quase-amarelo-a-dar-para-o-verde inqualificável e que nem perante o nosso argumento de sempre ("isto fica bem com calças de ganga") se safa ;
c) não precisávamos daquelas calças esquisitas "para sair à noite" porque não saímos à noite há que tempos;
d) temos 23425 t-shirts pretas em casa e agora temos 2346 e não havia necessidade.
O momento de ressaca começa aqui e é terrível. E culmina quando, já com o coração apertado, fazemos as contas ao que gastámos (mas sempre e só a caminho de casa). E, por fim, começa-nos a doer muito a cabeça quando nos damos conta que já não vamos poder comprar o casaco fantástico da nova colecção que andávamos a namorar.
Ora, nada disto abona muito a nosso favor.
Admiro inexoravelmente aquelas 2 ou 3 amigas que tenho que se conseguem conter, que sensatamente analisam mentalmente todo o guarda-roupa antes de comprar seja o que for e que, mesmo perante a pechincha do ano pensam e repensam.
Agora tenho de vos deixar. Estou exaurida:) com o dia de compras e tenho de me ir convencer que tudo o que comprei é lindo, útil e baratíssimo face à evolução da taxa de inflação.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Artroses e afins

Esta coisa da idade - e do suposto peso que deve ter - é muito engraçada.
Vem isto a propósito do desporto, esse senhor magnânime que me acompanhou quase sempre e de quem eu não tinha medo nenhum. Levantar-me às 5 da manhã em pleno Inverno para e ir meter-me numa piscina gelada para nadar como se não houvesse dia seguinte não tinha nada que saber, fazia parte de uma rotina muito normal, tão incrustrada que nem se punha a questão, na altura, de passar a ser outra rotina qualquer. Melhor ainda: no dia a seguir não sentia absolutamente dor nenhuma e estaria, certamente, pronta para fazer o mesmo.
Vem isto a propósito do meu fim de tarde de ontem e de tantas horas de almoço da minha semana... arrasto-me, qual lagarto-ao-sol, em direcção ao ginásio, a percorrer resmas de desculpas que posso usar para
a) não ir
b) ir mas não correr, não fazer remo, não fazer bicicleta, não fazer abdominais e ir só fazer pesos, que é o que me custa menos
c) não ir
d) ir antes passear na Baixa, que está sol, já recebemos e a Berskha tem coisas novas.
Bem, ao fim de uns minutos de uma luta épica comigo própria, vou mesmo ao ginásio, obrigo-me a correr, até ponho gradient na máquina e tudo, saio de lá como se tivesse acabado de ser atropelada por um camião TIR conduzido por um esquilo, ainda me restam forças para os abdominais, ai que me vai dar uma coisa, secalhar vou já andando para o duche, não, vou fazer biceps e triceps, bah! vou mas é alongar e ainda tenho tempo de ir almoçar lá fora.
Será que é isto, ir ficando mais velha?
No fundo, até sei do que se trata. Faz-me falta a piscina e a disponibilidade para lá ir quando me apetece.
Faz-me falta aquele estado de absoluto nirvana que, parece-me, só se atinge no desporto quando mudamos de elemento... não se pensa o mesmo a nadar e a correr. Quando se está dentro de água, sem ouvir vozes, sem sentir vento, sem cheirar nada, só a vaguear naquele ritmo repetido do corpo e naquele barulhinho surdo do debaixo-de-água, não se pensa no que é que vamos fazer para o jantar ou de que forma se vai acabar aquele projecto que se começou. Ná, ná, não se pensa em coisas mundanas. A sensação que sempre tive é que era envolvida em mim própria, como se fosse um taco mexicano... sempre senti uma espécie de exorcismo, uma espécie de hiato cronológico entre o antes de nadar e o depoir de ter nadado. E quanto mais duro era o treino, mais viva era esta sensação... acabava o dia numa espécie de transe gostoso, como se houvesse jet lag entre mim e eu própria, tão a ver?

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Outro blogue

Esta coisa dos blogues começa a fascinar-me.
Tenho investido algum tempo livre no blog da Pipa e comecei a achar que também seria divertido criar outro blogue, só para vir aqui deixar correr a pena, escrevinhar, construir umas poesias e umas prosas despretensiosas e ao sabor das vontades e das nóias da altura. Só porque sim. E também porque me desabituei de fazê-lo - como sempre fiz - no papel. E é pena, porque a alma manuscrita fica sempre mais composta e tem sempre um pouco mais de nós... o teclado é mais impessoal, mas rápido e certeiro, treme menos e hesita muito pouco.
Mas a verdade é que isto é giro. É uma espécie de Moleskine informático e isso apraz-me muito (adoro esta palavra, é tão estupidamente kitsh e pomposa).
Bem, certamente este blogue não tem pretensões nenhumas. Só quero vir aqui escrever o que me apetece, sem móbil, sem motivo aparente. As palavras são tão fluidas que dispensam intenções... podem sê-lo só por ser, sem processos adjacentes. E é precisamente isso que eu gosto nelas.