quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Meu bom gigante...

... volta depressa.

2010...

... vai ser fantástico.
Quero saúde e partilha.
Desejo-vos o mesmo a dobrar e tudo o que mais desejarem.

Feliz 2010!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

... poesias ...

Há alturas - tantas, muitas - que fico pendurada do que estou a ler, num momento erguido dentro do seu próprio momento, numa ofensiva sem piedade. Sinto-me como naqueles filmes a la Matrix, em que tudo pára ao redor, copos pendurados do ar, pessoas posicionadas em stand by, as gotículas de água de um charco pisado inertes, a meio do movimento... só eu e aquela palavra, aquela frase, aquela ideia que me assalta num súbito, um sentir qualquer que me assola de repente, provindo do meio do livro.
Há alturas em que sinto que o livro físico é só uma pequena muralha de tijolo que me separa do escritor, tipo biombo indiscreto, e eu sinto o autor a olhar-me de soslaio e a mirar-me os gestos, de sobrolho levantado, como quem diz "sim, essa frase que aí coloquei, esse soneto, esse verso, esse pedaço de história, é para ti, é sobre ti".
A forma como um livro me surpreende, do nada, do inverso de um reverso, continua a embasbacar-me os sentidos. Deixa-me agastada a forma como, num devir de algodão doce (ou de limão amargo), alguém descreve, do outro lado de outro mundo qualquer, o que eu estou a sentir no meu mundo.
Tenho-me sentido em constante (re)aprendizagem, evolução e, sobretudo nos últimos tempos, robustecimento do meu inner self. Sinto-me galvanizada. Não sei se é este awareness de mim ou o facto de ter uma estante nova... tenho sido constantemente projectada em direcção à fila de livros de poesia, que redescubro como se nunca lhes tivesse pegado.
E hoje, a meio dos "cavalos a fazer sombra no mar", pego nas Poesias do Mário de Sá-Carneiro, que me foi oferecido há tantos anos, abro ao calhas e, na 7ª das Sete Canções de Declínio, sem ter presente o contexto das anteriores 6, tropeço nesta pérola:

"Meu alvoroço de oiro e lua
Tinha por fim que transbordar
- Caiu-me a Alma ao meio da rua,
E não a posso ir apanhar!"

Há coisas fantásticas, não há?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Wild is the Wind (part I)

E aqui está o original do "Wild is the Wind", do Sr. David Bowie.
Adoro covers bem conseguidas, adoro.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Wild is the Wind

When the wind blows
and as the darkness floats away
I long to say those things.

Listening to CatPower, "Wild is the wind".

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal!

... com música!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

New quest

Amanhã, pela fresquinha, rumo à FDL para dar por findo o processo de inscrição no Doutoramento. TRatar do resto da papelada, entregar os 234 certificados que é preciso entregar, o plano de investigação. Estou entusiasmadíssima. Aliás, oscilo entre o entusiasmo e o terror... eu sei o quanto me custou o Mestrado...
Confesso que a ideia de investigar num tema de que gosto tanto, de voltar a meter o nariz nos livros, de voltar a lutar com prazos, notas de rodapé, bibliografias... de procurar livros de que só há um exemplar no Mundo - numa qualquer biblioteca do Bangladesh... de ter pop ups mentais no meio do nada com ideias para pespegar no papel... confesso que isto tudo me deixa contente.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Jazzin'

músicas e vozes que nos fazem ficar deeeeeeeeeeeeeeeeeeeeste tamanho (bracinhos abertos na máxima extensão)!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

É a saudade...

... que me descolora o tempo, os dias e o pôr-do-sol.
O teu abraço gigante faz-me falta.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Vanishing

Como é que se gere a sensação, infecta e corrosiva, de que algo dentro de nós está a perder a cor?
Is it possible that I'm vanishing?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

mahnamahna

MAHNAMAHNA!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Sou assim.

Levada da breca.
Às vezes insanamente ponderada, não raras vezes insuportável.
Mau feitio, "respondona", como dizia a minha Abuelita. Debito parvoíces com a mesma facilidade com que decoro letras e me esqueço dos títulos. Rio-me de tudo e de nada e consigo irritar a mais pequenina pedra da calçada. Canto muito alto no duche - e mal, confesso - e não gosto de estender roupa. De falar tanto, tanto, tanto, tenho dificuldades em ouvir. Ou melhor, ouço, mas ainda estou a aprender a escutar. Mando bitáites muitas vezes. Às vezes nas alturas erradas. Tenho uma penca grande e anda muitas vezes levantada, mas não é arrogância. Gosto das pessoas - e das coisas - com muita força, muitas vezes desregrada, muitas vezes cega... e às vezes custa-me confessá-lo. Sou intestinamente insensata, mas sou boa a dar conselhos. Gosto de bébés. Gosto de cães. Gosto de dançar. Não gosto de amarelo nem de verde. Sou possessiva. Demasiado assertiva. Convulsiva. Sou honesta e tenho bom coração. Choro e emociono-me com coisas de nada e depois quando tenho motivos para chorar não consigo. Gosto de fazer anos. Gostava de ter um bar de jazz e de ter sido bailarina de flamenco. Tenho imensa dificuldade em pedir desculpa. Adoro o Ikea e sei muitos nomes de artigos de cor. Amo nadar, exorcisa-me. Adoro filmes de desenhos animados e rio-me como se não houvesse amanhã com os bonecos. Gosto de telemóveis, de relógios de homem e de gravatas. Meto os joelhos para dentro - pareço o Jerry Lewis a correr. Já levantei 200 kilos de prensa de pernas e no entanto tenho perninhas de canivete. Sempre fui boa aluna, mas não sei a tabuada toda de cor. Adoro o António Lobo Antunes e estou a ler "Aqueles cavalos que fazem sombra no mar". Gosto de livros em estantes altas. Sou orgulhosa. Gostava muito de ter um curso de fotografia e de acabar mesmo o doutoramento. Sou teimosa. Tenho dificuldades em dar o braço a torcer - em vez de o dar a torcer, sinto que vou ficar sem ele. Adoro noz pecan e biquinis de cortina. O azul turquesa e o laranja - sobretudo juntos - bring out the best in me. Teclo estupidamente depressa mas só com dois dedos. Tenho medo da mudança mas ela fascina-me. Às vezes sou fria. Tenho um fascínio quase mítico por golfinhos e sereias. Às vezes sou torta, mas tenho bom fundo e sou boa pessoa.
E é pelo que sou que valho, imperfeições e falhas de sistema incluídas.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Definitely...

I AM the highway.

sábado, 21 de novembro de 2009

Música da alma

É assim que as vejo, as músicas que ouço pela primeira vez e que me desassossegam o interior e me alteram o ritmo respiratório. Sempre me conheci assim. Absolutamente permeável ao som, à melodia, à letra. Apaixono-me perdidamente pelas músicas como se cada uma delas - e são muitas - fosse a musica da minha vida. Não lhes resisto, zango-me com a facilidade com que troco uma pela outra, com a mesma intensidade e o mesmo fulgor dedicado. Ouço-as repetidamente, vezes sem conta, até um dia, numa pesquisa inopinada, me deparar com outra qualquer.
E hoje deparei-me com estas e... são lindas. Querem ouvir? Então, estão aqui e aqui.
Ouçam com a alma.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O meu Pai

Meu doce, querido, arrebatador e amado Pai.
Eu, que há muito tempo que não sei se acredito em Deus ou não... creio sinceramente que se houver um Deus haverá de ser parecido contigo. Haverá de ter a tua força e as tuas mãos, haverá certamente de ter oceanos inteiros a navegar-lhe pelos olhos que tanto viram, como os teus.
Não quero muito da vida, sabes... mas quero ser como tu, e isso é pedir tanto!
Dedico-te esta música, esta música e esta música, porque sei que vais gostar e porque és uma fonte.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Luz

O meu segundo sobrinho, o João, nasceu hoje.
Assisti ao parto. Todo.
Não tenho palavras - não cabem nem aqui nem dentro de mim - para explicar o que senti. A luz que é ver uma criança a nascer e ver a felicidade pura a transpirar por cada poro da Mãe. Já percebi porque se diz "dar à luz".
Hoje foi um dos dias mais bonitos e felizes da minha vida.

domingo, 1 de novembro de 2009

Carla's Jazz Club

Há tanto tempo que, escondido num refugo de mim, habita um sonho.
Vivi o final da minha infância e a minha adolescência a dançar com o aspirador em casa dos meus pais. Primeiro, ao som do swing-sapateado-saltitante do Fred Astaire e da Ginger Rogers (a famosa "ginja rója"...lol) e a ouvir o smooth romantic jazz cantado e o swing das décadas de 40 - 50 - 60 que, na altura, mais ninguém ouvia... a orquestra do Benny Goodman (Big Band da década de 30), a Ella, o Nat, o Ray (que transformou o conceito de gospel music, arredando-o da pura inspiração religiosa e acercando-o do jazz), a Dinah Washington, a Etta James, a Sarah Vaughan, a Anita O'Day (sem nenhuma ordem cronológica), ... muito por culpa dos filmes que passavam na época e cujo ambiente rítmico me fez pesquisar e apaixonar-me pela sonoridade descontraída - e ao mesmo tempo tão emocionalmente tensa - do jazz. A par e passo da paixão crescente pelo Flamenco - ainda que esta paixão, me estivesse, literalmente, no sangue - aprendi a gostar de jazz mais purista: Duke Ellington (década de 2o!), Miles Davis (jazz modal) John Coltrane, Stan Getz, Ben Webster, o incontornável Count Basie (sem nenhuma ordem cronológica).
Fui aprendendo a escutar, deixei de ouvir. Se o swing dos 30 - 40 desperta vibrações incríveis, o jazz puro hipnotiza - se dermos tempo ao ouvido para se habituar às variações galopantes de uma música.
O jazz sofreu muitas metamorfoses e gerou muitos subgéneros: o swing (30), o bebop (40), o jazz latino (50-60) e o fusion (70-80)... vejam o resto da história, se tiverem curiosidade na wikipédia.
Bom , sou obviamente um aprendiz nestas andanças. A fertilidade do meio é tão grande, que ainda me sinto completamente perdida na Fnac, entre géneros, subgéneros e variedades de jazz. Os nomes não são muito conhecidos e torna-se difícil crescer na aprendizagem. Viva a web, que tudo tem.
Mas o meu intuito não era fazer-vos adormecer com os meus gostos pessoais. :)
Dizia eu que desde miúda tenho este sonho. Queria um bar de jazz. Com um ambiente absolutamente smoky, com sombras recortadas por candeeiros de luz ténue em cada mesinha redonda. Um balcão grande, largo, de bancos altos e um barman de lacinho, comme il faut, mas de ar cool e descontraído. Pano no ombro, sorriso afável. Um bar onde o Zé solitário pudesse ir beber em homenagem à sua Dulcineia moderna, depois de uma discussão vigorosa no carro onde mil coisas se disseram sem querer. O Zé solitário, lixado da vida, sentado ao balcão, com ar de poucos amigos, e a voz da Dinah Washington de fundo, a relembrar-lhe cada mil'imetro de pele da Dulcineia. Ali no canto, todo desenhado pelo candeeiro de pé pequenino da mesa, num jogo de luz-sombra desavergonhado, outro Zé, outra Dulcineia. A trocar olhares lânguidos, um de cada lado do abajour.
Não seria um bar de bebedeiras colectivas, nem de música desregrada a ser cuspida por colunas gigantescas, nem propício a despedidas de solteira de noivas com pénis de borracha na cabeça.
Seria aquele sítio. Onde se poderia ir só para sentir passar o lânguido do tempo a correr por entre os dedos da música. Onde se poderia ir só para não estar em casa. Onde se poderia estar sozinho ou com o grupo de amigos, a jogar às cartas numa mesa verde redonda na sala ao lado, ao com uma luz direccionada para o centro da mesa. Onde se poderia ir comemorar ou sentir saudade.

Cover do mês

Decididamente! http://www.youtube.com/watch?v=PBmiSrSDBIA

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A maluca da Pipa

A esgroviada da Pipa, tanto andou tanto andou, que conseguiu mesmo envenenar-se. Aparentemente ingeriu qualquer coisa que a envenenou, certamente uma das 3435373733 que ela ingere na rua, quando está solta.
Sem querer entrar em pormenores sórdidos e explanatórios do processo de envenenamento num cão (garanto-vos que não é bonito), estou a olhar para ela agora e a pensar que esta dependência no binómio homem-cão (neste caso mulher - cadela), perfeitamente expressa nos olhitos dela, colados a mim, faz-nos sentir importantes.
Passado aquele momento em que entramos num pânico não consentido que só os donos de animais conhecem, olhamos para eles e sentimo-nos fortes. Ela vai ficar bem porque eu não vou deixar que nada lhe aconteça. E isso pode até incluir a coragem - que eu tive hoje - de dizer ao Chefe que não vamos porque o nosso cão está muito mal e vamos ficar com ele. Felizmente o meu Chefe tem cão e percebeu.
Isto tudo para dizer que olho para ela - animal não racional, que a única coisa que sabe é que se sente segura ao pé de mim - e sinto-me eu também mais segura ao pé dela.
Raio de binómio, este.

sábado, 24 de outubro de 2009

O sono e a música :)

Estou a-p-a-i-x-o-n-a-d-a por esta versão do "The man who sold the world", dos Nirvana... só o eclético Bowie canta assim. E descobri o Eddie Vedder e o Chris Cornell, os dois imberbes ainda, certamente, a tocarem numa banda dos idos 90, em Seattle (antes dos Pearl Jam e dos Audioslave), chamada Temple of the Dog, que é imperativo bisbilhotar. Gravaram só um album, que mais parece o preâmbulo ritmico dos primeiros tempos das duas bandas. Aliás, 4 dos elementos dos Temple of the Dog formaram os Pearl. No you tube chegam ao álbum nas calmas.
Ando, também, a descobrir Cat Power (o "Wild is the Wind" blows me away) e a redescobrir a Dinah Washington e a "minha" Ella Fitzgerald.
No final de mais um serviço, tenho a alma quentinha de música.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O António Lobo Antunes

Li a entrevista do António Lobo Antunes à Alexandra Lucas Coelho, na revista do Público, com uma sofreguidão galopante, a roer as unhas. Já passei pelo último livro dele umas 3 ou 4 vezes, nos corredores ruidosos de música ao vivo da Fnac e nem tive coragem de abrir. Tenho de comprar, tenho de ler, bolas é tão imperativo como o cheiro a café no café, mas agora não posso, tenho outros livros pa comprar e ainda não li outros que tenho na estante, e... Agora que acabei de ler esta entrevista estou aqui a pensar que deste fim de semana não passa, vou tomá-lo de assalto e quando chegar à segunda-feira já vi de certeza os tais cavalos que fazem sombra no mar.
Conta a entrevista que a casa dele, no Conde Redondo, é um templo moderno aos livros, em estantes corridas, com as obras organizadas: os Tolstois, os Joyces e Pounds, os Dantes, os autores ingleses (Austen, Woolf, Graham Greene), acoli os policias, aqueloutra estante só com traduções das obras dele... fico a imaginar, toda contorcida de vontade de um dia estar frente a uma colecção de estantes assim. Com os livros a habitar cada milímetro e a povoar a casa de conversas entre eles e daquele cheiro característico que só um livro lido, aberto e reaberto, consultado e manipulado, tem.
A dado passo, ao falar da fase em que fez quimioterapia e da dignidade das pessoas com quem se cruzou nos tratamentos, diz que "Talvez a grande função da arte seja dignificar o homem, e talvez seja o triunfo sobre o sofrimento, a dor, a morte. Em face disto... Agora estou a ficar comovido e é uma gaita..."
O que eu gostava de ter o coração no cérebro, o coração nas mãos, o coração na escrita, a alma nos olhos, como este Homem tem. Por enquanto, só tenho uma estante IKEA gigante, que hoje me parece a mais pequenina do Mundo.

domingo, 11 de outubro de 2009

Werewolf

Há músicas, sons, melodias, que se entranham na carne.
Aqui está. Cat Power, "Werewolf", banda sonora de "Los Abrazos Rotos", do Almodovar.
Arrepiante.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Amor

Sabes o que me une a ti e a essa tua deliciosa forma de ser e de amar?
Um nervoso miudinho, corrosivo e infeccioso, que toma conta de mim, cada vez que te sinto perto. Uma coisa assim aparentemente simples, quase nem se nota. Mas é assim há uns aninhos. O amor é isso, entendes? É um nervoso miudinho com sabor a morango e cheiro de algodão doce. Os "amaricanos" chamam-lhe "tummy butterflies", borboletas a voar na barriga. Sinto-as quando te aproximas, de surpresa, e me beijas o pescoço. Ou quando me pedes um abraço de braços abertos, enormes. Ou quando me preparo para ver um filme aninhada no teu colo de nuvem e não resisto sem adormecer nem aos primeiros 5 minutos. Ou quando, se estás fora algum tempo, sinto as chaves e - sempre, sempre sempre, há alguns aninhos - chamas por mim ainda antes de entrar em casa.
E sabes o que mais me une a ti - para além do teu cheiro, que pressinto, pelo vento, a metros de distância, como se tivesse nariz de cão? (o nariz do amor é um nariz de cão, milhões de células olfactivas, milhões!). A gargalhada. A cumplicidade, a identidade. O humor, certeiro e companheiro. Os objectivos. E as tuas mãos. O poder imenso e confortante das tuas mãos. A tua humildade e essa tua incondicionalidade.
Ter-te, exorcisa-me. Obrigada, por tanto, João.

sábado, 25 de julho de 2009

Uma forma de felicidade

By Stephanie Ackerman

sábado, 4 de julho de 2009

Computador novo

E pois que comprámos um iMAC. 
Só vos digo, esta máquina é uma máquina! :)
Como é que não pensámos nisto antes, como? Como é que nos deixámos enredar na hegemonia do Windows?! Bem, quer dizer, a primeira coisinha que fiz, logo logo, foi instalar o Office iMac. Isto de ter um sistema operativo em casa e outro no trabalho podia ser complicado, por causa das incompatibilidades. Mas nada disso. Todos os documentos Office que tenho no meu disco externo abrem no iMac. Perfeito.

Pois que agora temos um portátil e um desktop porreiro. Acabaram as "guerras" porque eu quero ir prá Net e o João quer ir jogar. Aqui estamos lado a lado, cada um com o seu computador.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Alma

É a minha alma que reconfiguras de cada vez que me beijas.
É o conforto do teu colo que me adormece e que me acorda, num desassossego de alegrias e de quente.
Hoje, este post é para ti: numa homenagem humilde a essa forma magnânime de me olhares, bem no fundo de mim, e de trazeres tudo de bom que tenho à tona do que sou. Tenho orgulho em ti, no Homem que és.
Dás vida ao sempre, aquietas-me a alma.

sábado, 20 de junho de 2009

Coisinhas de nada

Os dias em que estou de serviço, no Verão, pespegam-me com a noção do "que-parece-um-nada-de-nada-mas-a-que-só-damos-valor-quando-nos-falta."
Ora bem, o pressuposto, irrevogável, é o de que estou em determinado sítio donde, haja o que houver, não posso sair, cumprindo a minha missão o melhor que sei. Durante as 24 horas inteirinhas que compõem um dia, sentimos saudades e vontade de fazer todas aquelas coisas a que damos um valor relativo quando as PODEMOS fazer. Ficar até mais tarde na cama, porque o João vai passear a Pipa de manhã aos fins de semana para me deixar dormir. Levantar-me azamboada e desgrenhada (muitas vezes é azamboada e desgrenhada que ando o dia todo :))) para ir comer umas xapatas (é assim que se escreve "xapata", as in pão de "xapata"?) que o João faz com mel e manteiga (a famosa xapata-com-duas-coisas). Ir à praça ouvir o rebuliço de vozes, em timbres desnivelados, numa amálgama de cheiros e de cores. Soltar a Pipa no jardim da frente e deixá-la comer relva sem me chatear, sem pressa para ir para o trabalho, só naquela de alinhar no lânguido do tempo. Mesmo que haja mil coisas para fazer num fim de semana (ui ui), tantas que às vezes não cabem nos quadradinhos minúsculos reservados aos sábados e aos domingos nos Moleskines, o tempo parece que... tem mais tempo. Adoro, adoro os sábados, sabem porquê? Porque no dia a seguir é Domingo, caramba! Podemos ter mais tempo para o tempo outro dia inteirinho! Podemo-nos deitar tarde!
Nos fins de semana, até o meu super-aspirador-Dyson parece mais simpático. Temos tempo para fazer de comer e tempo para ir comer fora. E o que me dizem ao café, o cheirinho do café, que vamos beber de propósito ao café da esquina, desprezando com orgulho a Nespresso e as cápsulas coloridas?! E, já agora, uma sestinha, mesmo no meio do calor desavergonhado da tarde?

(suspiro)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Bla bla bla

Estou a aprender a ouvir.
Fiz uma promessa a mim própria: vou tentar deixar de ser tão tagarela. Eu não falo, debito. Pareço o contador da água.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Bitáites

Hoje venho aqui a modos que para desabafar.

Contra os bitáites.

Nunca sentiram, a meio de uma conversa com alguém que têm em boa conta, ou que consideram amigo(a), uma certa... sensação de invasão?? Assim do tipo "mas que raio é que ele(ela) têm a ver com a minha vida para me estar a mandar este bitáite?". Pois é. A mim sufoca-me de desespero, a pontos de ficar com a capacidade de gestão dessa amizade reduzida a uns valentes graus centígrados abaixo de zero.

Sempre tive uma filosofia clara de vida, no que diz respeito às relações humanas: não te metas comigo, não me meto contigo. A vida de cada qual é a vida de cada um e a malta tem de se reduzir à sua insignifância no que diz respeito à gestão da vida dos outros... é que... é a vida do outros. Tão a ver a coisa?

Sempre me fizeram muita impressão as amizades - já tive algumas - em que se cobram coisas. A amizade-perguntadeira-e-fiscal, hoje, arrepia-me a espinha e provoca-me urticárias. Os "porque é que não vens", os "não vais porque não queres", os "não tens tempo, o quê, pá, isso são tretas", os "és sempre a mesma coisa" e os "bora, lá, vá lá, bora lá" teimosos deixam-me a milhas de pensar que são debitados porque sentem a minha falta... fico assim a pensar que é mesmo porque o facto de eu não fazer o que se pretende - obviamente porque não posso, nunca porque não quero - contrariar a ordem natural das coisas que alguém determinou para mim (e não eu).

Vejamos agora o reverso deste desabafo: eu sou uma coisa por demais. Faço a gestão do meu tempo, das minhas coisas, das minhas disponibilidades e rotinas com a mesma destreza com que faço tricot (não sei fazer). Sinto que vivo permanentemente em descontexto, a deixar mil coisas para trás para andar com uma para a frente. A dado passo, vivo mesmo convencida que consigo trabalhar, namorar com o meu marido, arrumar a casa, passear o cão com um mínimo de criatividade, fazer desporto, escrever artigos, estudar, ser a filha e a nora que os meus Pais e os meus sogros merecem, ter tempo para os amigos, não me esquecer de aniversários, ajudar o x e a y a fazer aquele requerimento importante, não desistir das danças mais uma vez, tratar das plantas sem as deixar morrer, ir ao cinema ver aquele filme, não faltar a mais um encontro de goldens, arrumar a minha estante nova, ir fazer análises... e isto, claro, sem nenhuma ordem de importância...

Eu olho em volta e juro que vejo pessoas - humanos, sim, humanos - que conseguem isto e mil malabarismos mai, sem dificuldade e fazendo reproduzir o tempo em mais tempos e tempinhos. Alguns destes humanos - obrigado Pat, obrigado Ana Clara, obrigado Ana, obrigado Susana, obrigado Sónia - têm sempre, inclusivamente, tempo para mim. São capazes de encaixar a groovy me em qualquer semana, não importa quantas coisas tenham para fazer... e atente-se que a maior parte destes humanos são casados, com filhos e animais de estimação, ou seja, com mais empenhamento operacional que eu, de longe! Mais: este humanos conhecem-me de ginjeira, já me tiraram a pinta toda e sabem perfeitamente que as adoro. Que posso até, à última da hora, descobrir que não vou poder ir ao nosso jantar semestral, ou anual, ou bienal (e às vezes são mesmo anos que estamos sem nos ver), mas sabem também que, se a luz vermelha acender, estarei lá no matter what. Com a mesma incondicionalidade comq ue anseiam a minha presença, sem nunca a reclamar, sem nunca a cobrar. Sem nunca me fazerem sentir culpada por ser assim, de natureza eminentemente esgroviada na manutenção da minha agenda. Sem nunca me fazerem fazer sentir culpada por ter variantes na minha vida, como a profissão do meu marido, a minha, ou o facto de no presente partilhar as minhas paredes (literalmente) com um cão, que muitas vezes me atiram para o "opá, amanhã, afinal, não vou conseguir... pode ser pá semana?". Aceitando a minha natureza, gostando de mim. Como, estou mesmo em crer, só uma boa amizade ou um amor amigo podem fazer. Por isso, obrigado Mãe, Pai, João, Pat, Ana Clara, Ana B. Susana S., Sónia L. E, já agora... obrigada, Pipa. :)

Obrigado por acreditarem que é este ano que vou conseguir dedicar-vos o tempo que merecem e não cobram, que vou conseguir ter-vos a todos em casa a jantar coisas mal feitas por mim em mesas lindas postas pelo meu marido, que vamos conseguir rir à gargalhada na minha varanda como só convosco consigo.

domingo, 19 de abril de 2009

Professora Pipa


Esta coisa de ter um cão tem-se revelado surpreendentemente fantástica.
Sempre gostei de cães. Claro, porque hoje sei que é impossível ter um cão sem se gostar desmesuradamente deles. O empenhamento operacional que é exigido a um dono medianamente cuidadoso e responsável é épico: apanham-se cócós (alguns deles absolutamente diarreicos, note-se), limpam-se xixis, assistimos passivamente ao declínio estético das nossas casas (paredes roídas, rodapés misteriosamente desaparecidos, chinelos e sapatos moribundos, meias e cuecas impiedosamente assassinadas a sangue frio). 
O trabalho que cuidar de uma casa com um cão dá só é comparável ao trabalho na estiva, só que, claro está, não remunerado. Perdão, bem pelo contrário: nós pagamos para ter o cão: despesas de veterinário, rações, acessórios... mil e doze acessórios que ninguém nos avisou que era preciso comprar:
- o saquinho para as guloseimas, para evitar que ele esgrovie no meio da rua e desate a correr como se não houvesse amanhã... sendo certo que, mesmo com as guloseimas, eles piram-se na mesma;
- o recipiente para beberem água nos passeios de carro... claro que um tupperware não dá!!! Tem de ser um recipiente próprio, como se o cão se importasse de beber água de um sítio qualquer que tivesse custado abaixo dos 2 euros;
- o bebedouro e o comedouro próprios, de preferência elevados (!?) por causa dos eventuais hipotéticos problemas de coluna que o animal pode vir a desenvolver e claro está que a gente-não-ia-querer-isso;
- as escovas, pentes e coisinhas que tais, para fazermos uma coisa que os hodiernos chamam de grooming e a que as pindéricas como eu chamavam dar uma escovadela;
- a toalha ultra-hiper-abosrvente-e-feita-de-microfibra-especial para enxugar o trambolho quando lhe damos banho (e nem queiram saber o que um momento de distracção pode fazer quando o dito desata a sacudir-se mmmmmesmo no meio do hall)...
Eu podia continuar. Post abaixo, páginas e páginas. Mas não vim cá hoje quebrar este silêncio que decerto vos custou tanto (aahahah) para me queixar.
Vim cá para dizer que tenho aprendido com a Pipa mais do que tenho aprendido com 75%, vá, 70% dos humanos com que me cruzei a minha vida toda. 
Não sei se estão a perceber... a lição de vida que um cão dá deixa de rastos qualquer credo religioso. Aquele factor do animal irracional é treta. Ou melhor, até pode ser cientificamente verdade... tanto quanto é emcionalmente verdadeiro que estes bichos sabem amar, todos os dias, como se a todos os minutos sobreviesse o apocalipse e esles soubesse disso.
Dou por mim, às vezes, a falar dela como se de um amigo ou se da família se tratasse (o que não deixa de ser a mais redonda verdade). Lembro-me de achar irritante ouvir x ou y falar do respectivo cãozinho como se os animais tivessem querer ou sentir... relatando até à minúcia as proezas dos canídeos e debitando sem parar "ele sabe quando estou zangada com ele, ele sabe"... ou " e depois ele foi ter comigo a olhar para mim porque sabia que eu tinha chumbado no exame, o malandro, e ficou ali a dar-me beijinhos para me sentir melhor e depois até me ladrou para eu sair da cama e ir arejar, foi, foi...!". Eu sei, eu achava isto tudo compreensível, mas hiperbólico. Tão hiperbólico que às vezes até se me atacava uma certa urticária.
Hoje, porque a vida dá mais chapadas de luva branca do que esperamos, dou por mim a exercer o mesmo timbre de irritação nos que me rodeiam. 
Mas a verdade é que eles sabem, os malandros. Não será inteligência abstracta nem nada que se assemelhe a raciocínio dedutivo, certamente. Eu nem quero saber o que é, não quero. 
Só sei que lhe chamo amor. Até pode ser um amor interesseiro, com cheiro a carninha de vaca ou a ração de frango... mas é um sentir. 
Às vezes, do alto dos nossos dias de atropelo, com 23242526 coisas para fazer e outras tantas para não esquecermos, no meio dos subsequentes (e inconsequentes) afazeres do dia a dia sôfrego e sem-tempo, olho para ela e vejo que somos tão exigentes. Tão intolerantes. Tão materialistas. 
Vejo-a a abanar o rabo até coonseguir acertar numa coisa qualquer e parti-la :) e vejo que a felicidade fotografa-se assim, naquele momento. E, para ela, a vida é cada um desses momentos de felicidade, a sobreporem-se, impiedosos, a todos os outros menos bons, que rapidamente esquece ou a que rapidamente se habitua (a trela, por exemplo). Não exige mais nada do daqui-a-nada ou do amanhã. Cada vez que abana o rabo de felicidade, sendo que a felicidade pode ser uma meia ou um gancho perdido e apanhado do chão, fotografa a própria vida, capta-lhe a essência. Não quer grandes globalismos, nem grandes objectivos, certamente não precisa de grandes concretizações. E nem há tempo para acordar mal disposta ou de mau humor, não há tempo para essas tretas quando pode vir uma festa na cabeça a caminho... tem de se aproveitar.
Esta capacidade de nos arrancar o sorriso e de nos aquecer a alma é brilhante.
Raisparta a consciência humana e mais o nosso ser. Pensamos demais!