segunda-feira, 29 de junho de 2009

Alma

É a minha alma que reconfiguras de cada vez que me beijas.
É o conforto do teu colo que me adormece e que me acorda, num desassossego de alegrias e de quente.
Hoje, este post é para ti: numa homenagem humilde a essa forma magnânime de me olhares, bem no fundo de mim, e de trazeres tudo de bom que tenho à tona do que sou. Tenho orgulho em ti, no Homem que és.
Dás vida ao sempre, aquietas-me a alma.

sábado, 20 de junho de 2009

Coisinhas de nada

Os dias em que estou de serviço, no Verão, pespegam-me com a noção do "que-parece-um-nada-de-nada-mas-a-que-só-damos-valor-quando-nos-falta."
Ora bem, o pressuposto, irrevogável, é o de que estou em determinado sítio donde, haja o que houver, não posso sair, cumprindo a minha missão o melhor que sei. Durante as 24 horas inteirinhas que compõem um dia, sentimos saudades e vontade de fazer todas aquelas coisas a que damos um valor relativo quando as PODEMOS fazer. Ficar até mais tarde na cama, porque o João vai passear a Pipa de manhã aos fins de semana para me deixar dormir. Levantar-me azamboada e desgrenhada (muitas vezes é azamboada e desgrenhada que ando o dia todo :))) para ir comer umas xapatas (é assim que se escreve "xapata", as in pão de "xapata"?) que o João faz com mel e manteiga (a famosa xapata-com-duas-coisas). Ir à praça ouvir o rebuliço de vozes, em timbres desnivelados, numa amálgama de cheiros e de cores. Soltar a Pipa no jardim da frente e deixá-la comer relva sem me chatear, sem pressa para ir para o trabalho, só naquela de alinhar no lânguido do tempo. Mesmo que haja mil coisas para fazer num fim de semana (ui ui), tantas que às vezes não cabem nos quadradinhos minúsculos reservados aos sábados e aos domingos nos Moleskines, o tempo parece que... tem mais tempo. Adoro, adoro os sábados, sabem porquê? Porque no dia a seguir é Domingo, caramba! Podemos ter mais tempo para o tempo outro dia inteirinho! Podemo-nos deitar tarde!
Nos fins de semana, até o meu super-aspirador-Dyson parece mais simpático. Temos tempo para fazer de comer e tempo para ir comer fora. E o que me dizem ao café, o cheirinho do café, que vamos beber de propósito ao café da esquina, desprezando com orgulho a Nespresso e as cápsulas coloridas?! E, já agora, uma sestinha, mesmo no meio do calor desavergonhado da tarde?

(suspiro)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Bla bla bla

Estou a aprender a ouvir.
Fiz uma promessa a mim própria: vou tentar deixar de ser tão tagarela. Eu não falo, debito. Pareço o contador da água.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Bitáites

Hoje venho aqui a modos que para desabafar.

Contra os bitáites.

Nunca sentiram, a meio de uma conversa com alguém que têm em boa conta, ou que consideram amigo(a), uma certa... sensação de invasão?? Assim do tipo "mas que raio é que ele(ela) têm a ver com a minha vida para me estar a mandar este bitáite?". Pois é. A mim sufoca-me de desespero, a pontos de ficar com a capacidade de gestão dessa amizade reduzida a uns valentes graus centígrados abaixo de zero.

Sempre tive uma filosofia clara de vida, no que diz respeito às relações humanas: não te metas comigo, não me meto contigo. A vida de cada qual é a vida de cada um e a malta tem de se reduzir à sua insignifância no que diz respeito à gestão da vida dos outros... é que... é a vida do outros. Tão a ver a coisa?

Sempre me fizeram muita impressão as amizades - já tive algumas - em que se cobram coisas. A amizade-perguntadeira-e-fiscal, hoje, arrepia-me a espinha e provoca-me urticárias. Os "porque é que não vens", os "não vais porque não queres", os "não tens tempo, o quê, pá, isso são tretas", os "és sempre a mesma coisa" e os "bora, lá, vá lá, bora lá" teimosos deixam-me a milhas de pensar que são debitados porque sentem a minha falta... fico assim a pensar que é mesmo porque o facto de eu não fazer o que se pretende - obviamente porque não posso, nunca porque não quero - contrariar a ordem natural das coisas que alguém determinou para mim (e não eu).

Vejamos agora o reverso deste desabafo: eu sou uma coisa por demais. Faço a gestão do meu tempo, das minhas coisas, das minhas disponibilidades e rotinas com a mesma destreza com que faço tricot (não sei fazer). Sinto que vivo permanentemente em descontexto, a deixar mil coisas para trás para andar com uma para a frente. A dado passo, vivo mesmo convencida que consigo trabalhar, namorar com o meu marido, arrumar a casa, passear o cão com um mínimo de criatividade, fazer desporto, escrever artigos, estudar, ser a filha e a nora que os meus Pais e os meus sogros merecem, ter tempo para os amigos, não me esquecer de aniversários, ajudar o x e a y a fazer aquele requerimento importante, não desistir das danças mais uma vez, tratar das plantas sem as deixar morrer, ir ao cinema ver aquele filme, não faltar a mais um encontro de goldens, arrumar a minha estante nova, ir fazer análises... e isto, claro, sem nenhuma ordem de importância...

Eu olho em volta e juro que vejo pessoas - humanos, sim, humanos - que conseguem isto e mil malabarismos mai, sem dificuldade e fazendo reproduzir o tempo em mais tempos e tempinhos. Alguns destes humanos - obrigado Pat, obrigado Ana Clara, obrigado Ana, obrigado Susana, obrigado Sónia - têm sempre, inclusivamente, tempo para mim. São capazes de encaixar a groovy me em qualquer semana, não importa quantas coisas tenham para fazer... e atente-se que a maior parte destes humanos são casados, com filhos e animais de estimação, ou seja, com mais empenhamento operacional que eu, de longe! Mais: este humanos conhecem-me de ginjeira, já me tiraram a pinta toda e sabem perfeitamente que as adoro. Que posso até, à última da hora, descobrir que não vou poder ir ao nosso jantar semestral, ou anual, ou bienal (e às vezes são mesmo anos que estamos sem nos ver), mas sabem também que, se a luz vermelha acender, estarei lá no matter what. Com a mesma incondicionalidade comq ue anseiam a minha presença, sem nunca a reclamar, sem nunca a cobrar. Sem nunca me fazerem sentir culpada por ser assim, de natureza eminentemente esgroviada na manutenção da minha agenda. Sem nunca me fazerem fazer sentir culpada por ter variantes na minha vida, como a profissão do meu marido, a minha, ou o facto de no presente partilhar as minhas paredes (literalmente) com um cão, que muitas vezes me atiram para o "opá, amanhã, afinal, não vou conseguir... pode ser pá semana?". Aceitando a minha natureza, gostando de mim. Como, estou mesmo em crer, só uma boa amizade ou um amor amigo podem fazer. Por isso, obrigado Mãe, Pai, João, Pat, Ana Clara, Ana B. Susana S., Sónia L. E, já agora... obrigada, Pipa. :)

Obrigado por acreditarem que é este ano que vou conseguir dedicar-vos o tempo que merecem e não cobram, que vou conseguir ter-vos a todos em casa a jantar coisas mal feitas por mim em mesas lindas postas pelo meu marido, que vamos conseguir rir à gargalhada na minha varanda como só convosco consigo.