quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A maluca da Pipa

A esgroviada da Pipa, tanto andou tanto andou, que conseguiu mesmo envenenar-se. Aparentemente ingeriu qualquer coisa que a envenenou, certamente uma das 3435373733 que ela ingere na rua, quando está solta.
Sem querer entrar em pormenores sórdidos e explanatórios do processo de envenenamento num cão (garanto-vos que não é bonito), estou a olhar para ela agora e a pensar que esta dependência no binómio homem-cão (neste caso mulher - cadela), perfeitamente expressa nos olhitos dela, colados a mim, faz-nos sentir importantes.
Passado aquele momento em que entramos num pânico não consentido que só os donos de animais conhecem, olhamos para eles e sentimo-nos fortes. Ela vai ficar bem porque eu não vou deixar que nada lhe aconteça. E isso pode até incluir a coragem - que eu tive hoje - de dizer ao Chefe que não vamos porque o nosso cão está muito mal e vamos ficar com ele. Felizmente o meu Chefe tem cão e percebeu.
Isto tudo para dizer que olho para ela - animal não racional, que a única coisa que sabe é que se sente segura ao pé de mim - e sinto-me eu também mais segura ao pé dela.
Raio de binómio, este.

sábado, 24 de outubro de 2009

O sono e a música :)

Estou a-p-a-i-x-o-n-a-d-a por esta versão do "The man who sold the world", dos Nirvana... só o eclético Bowie canta assim. E descobri o Eddie Vedder e o Chris Cornell, os dois imberbes ainda, certamente, a tocarem numa banda dos idos 90, em Seattle (antes dos Pearl Jam e dos Audioslave), chamada Temple of the Dog, que é imperativo bisbilhotar. Gravaram só um album, que mais parece o preâmbulo ritmico dos primeiros tempos das duas bandas. Aliás, 4 dos elementos dos Temple of the Dog formaram os Pearl. No you tube chegam ao álbum nas calmas.
Ando, também, a descobrir Cat Power (o "Wild is the Wind" blows me away) e a redescobrir a Dinah Washington e a "minha" Ella Fitzgerald.
No final de mais um serviço, tenho a alma quentinha de música.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O António Lobo Antunes

Li a entrevista do António Lobo Antunes à Alexandra Lucas Coelho, na revista do Público, com uma sofreguidão galopante, a roer as unhas. Já passei pelo último livro dele umas 3 ou 4 vezes, nos corredores ruidosos de música ao vivo da Fnac e nem tive coragem de abrir. Tenho de comprar, tenho de ler, bolas é tão imperativo como o cheiro a café no café, mas agora não posso, tenho outros livros pa comprar e ainda não li outros que tenho na estante, e... Agora que acabei de ler esta entrevista estou aqui a pensar que deste fim de semana não passa, vou tomá-lo de assalto e quando chegar à segunda-feira já vi de certeza os tais cavalos que fazem sombra no mar.
Conta a entrevista que a casa dele, no Conde Redondo, é um templo moderno aos livros, em estantes corridas, com as obras organizadas: os Tolstois, os Joyces e Pounds, os Dantes, os autores ingleses (Austen, Woolf, Graham Greene), acoli os policias, aqueloutra estante só com traduções das obras dele... fico a imaginar, toda contorcida de vontade de um dia estar frente a uma colecção de estantes assim. Com os livros a habitar cada milímetro e a povoar a casa de conversas entre eles e daquele cheiro característico que só um livro lido, aberto e reaberto, consultado e manipulado, tem.
A dado passo, ao falar da fase em que fez quimioterapia e da dignidade das pessoas com quem se cruzou nos tratamentos, diz que "Talvez a grande função da arte seja dignificar o homem, e talvez seja o triunfo sobre o sofrimento, a dor, a morte. Em face disto... Agora estou a ficar comovido e é uma gaita..."
O que eu gostava de ter o coração no cérebro, o coração nas mãos, o coração na escrita, a alma nos olhos, como este Homem tem. Por enquanto, só tenho uma estante IKEA gigante, que hoje me parece a mais pequenina do Mundo.

domingo, 11 de outubro de 2009

Werewolf

Há músicas, sons, melodias, que se entranham na carne.
Aqui está. Cat Power, "Werewolf", banda sonora de "Los Abrazos Rotos", do Almodovar.
Arrepiante.