sábado, 21 de novembro de 2009

Música da alma

É assim que as vejo, as músicas que ouço pela primeira vez e que me desassossegam o interior e me alteram o ritmo respiratório. Sempre me conheci assim. Absolutamente permeável ao som, à melodia, à letra. Apaixono-me perdidamente pelas músicas como se cada uma delas - e são muitas - fosse a musica da minha vida. Não lhes resisto, zango-me com a facilidade com que troco uma pela outra, com a mesma intensidade e o mesmo fulgor dedicado. Ouço-as repetidamente, vezes sem conta, até um dia, numa pesquisa inopinada, me deparar com outra qualquer.
E hoje deparei-me com estas e... são lindas. Querem ouvir? Então, estão aqui e aqui.
Ouçam com a alma.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O meu Pai

Meu doce, querido, arrebatador e amado Pai.
Eu, que há muito tempo que não sei se acredito em Deus ou não... creio sinceramente que se houver um Deus haverá de ser parecido contigo. Haverá de ter a tua força e as tuas mãos, haverá certamente de ter oceanos inteiros a navegar-lhe pelos olhos que tanto viram, como os teus.
Não quero muito da vida, sabes... mas quero ser como tu, e isso é pedir tanto!
Dedico-te esta música, esta música e esta música, porque sei que vais gostar e porque és uma fonte.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Luz

O meu segundo sobrinho, o João, nasceu hoje.
Assisti ao parto. Todo.
Não tenho palavras - não cabem nem aqui nem dentro de mim - para explicar o que senti. A luz que é ver uma criança a nascer e ver a felicidade pura a transpirar por cada poro da Mãe. Já percebi porque se diz "dar à luz".
Hoje foi um dos dias mais bonitos e felizes da minha vida.

domingo, 1 de novembro de 2009

Carla's Jazz Club

Há tanto tempo que, escondido num refugo de mim, habita um sonho.
Vivi o final da minha infância e a minha adolescência a dançar com o aspirador em casa dos meus pais. Primeiro, ao som do swing-sapateado-saltitante do Fred Astaire e da Ginger Rogers (a famosa "ginja rója"...lol) e a ouvir o smooth romantic jazz cantado e o swing das décadas de 40 - 50 - 60 que, na altura, mais ninguém ouvia... a orquestra do Benny Goodman (Big Band da década de 30), a Ella, o Nat, o Ray (que transformou o conceito de gospel music, arredando-o da pura inspiração religiosa e acercando-o do jazz), a Dinah Washington, a Etta James, a Sarah Vaughan, a Anita O'Day (sem nenhuma ordem cronológica), ... muito por culpa dos filmes que passavam na época e cujo ambiente rítmico me fez pesquisar e apaixonar-me pela sonoridade descontraída - e ao mesmo tempo tão emocionalmente tensa - do jazz. A par e passo da paixão crescente pelo Flamenco - ainda que esta paixão, me estivesse, literalmente, no sangue - aprendi a gostar de jazz mais purista: Duke Ellington (década de 2o!), Miles Davis (jazz modal) John Coltrane, Stan Getz, Ben Webster, o incontornável Count Basie (sem nenhuma ordem cronológica).
Fui aprendendo a escutar, deixei de ouvir. Se o swing dos 30 - 40 desperta vibrações incríveis, o jazz puro hipnotiza - se dermos tempo ao ouvido para se habituar às variações galopantes de uma música.
O jazz sofreu muitas metamorfoses e gerou muitos subgéneros: o swing (30), o bebop (40), o jazz latino (50-60) e o fusion (70-80)... vejam o resto da história, se tiverem curiosidade na wikipédia.
Bom , sou obviamente um aprendiz nestas andanças. A fertilidade do meio é tão grande, que ainda me sinto completamente perdida na Fnac, entre géneros, subgéneros e variedades de jazz. Os nomes não são muito conhecidos e torna-se difícil crescer na aprendizagem. Viva a web, que tudo tem.
Mas o meu intuito não era fazer-vos adormecer com os meus gostos pessoais. :)
Dizia eu que desde miúda tenho este sonho. Queria um bar de jazz. Com um ambiente absolutamente smoky, com sombras recortadas por candeeiros de luz ténue em cada mesinha redonda. Um balcão grande, largo, de bancos altos e um barman de lacinho, comme il faut, mas de ar cool e descontraído. Pano no ombro, sorriso afável. Um bar onde o Zé solitário pudesse ir beber em homenagem à sua Dulcineia moderna, depois de uma discussão vigorosa no carro onde mil coisas se disseram sem querer. O Zé solitário, lixado da vida, sentado ao balcão, com ar de poucos amigos, e a voz da Dinah Washington de fundo, a relembrar-lhe cada mil'imetro de pele da Dulcineia. Ali no canto, todo desenhado pelo candeeiro de pé pequenino da mesa, num jogo de luz-sombra desavergonhado, outro Zé, outra Dulcineia. A trocar olhares lânguidos, um de cada lado do abajour.
Não seria um bar de bebedeiras colectivas, nem de música desregrada a ser cuspida por colunas gigantescas, nem propício a despedidas de solteira de noivas com pénis de borracha na cabeça.
Seria aquele sítio. Onde se poderia ir só para sentir passar o lânguido do tempo a correr por entre os dedos da música. Onde se poderia ir só para não estar em casa. Onde se poderia estar sozinho ou com o grupo de amigos, a jogar às cartas numa mesa verde redonda na sala ao lado, ao com uma luz direccionada para o centro da mesa. Onde se poderia ir comemorar ou sentir saudade.

Cover do mês

Decididamente! http://www.youtube.com/watch?v=PBmiSrSDBIA